Do pacto por eleições limpas à vitória suspeita de Maduro: entenda como a Venezuela mergulhou em nova crise.
A Venezuela entrou em nova crise depois que o presidente Nicolás Maduro foi declarado reeleito pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão presidido por um aliado dele —antes de a apuração ter sido concluída e sem que todos os boletins de urna tenham sido divulgados.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela proclamou na segunda-feira (29) a vitória do presidente Nicolás Maduro com 51,2% dos votos, contra 44,2% do opositor Edmundo González.
Com base em contagens paralelas, o candidato da oposição Edmundo González argumenta que venceu a eleição. O site do CNE segue fora do ar desde domingo (28); segundo o Ministério Público, ligado ao governo Maduro, houve um ataque hacker por ordem da oposição.
Dezenas de países pedem a divulgação do detalhamento da apuração —o que ainda não ocorreu. Aliado histórico de Maduro, Lula condicionou o reconhecimento do resultado à apresentação das atas. Enquanto isso, o partido dele, o PT, e reconheceu a vitória contestada de Maduro.
Enquanto isso, Maduro foi proclamado presidente para um terceiro mandato, anunciou que colocará as Forças Armadas em todo o país e convocou apoiadores para saírem às ruas a partir desta quarta (31).
É uma resposta a uma série de protestos que tomaram a Venezuela nesta terça (30). Pelo menos 700 pessoas foram detidas, segundo o MP, e 11 morreram, de acordo com uma ONG venezuelana.
Segundo a oposição, os números nas urnas foram adulterados e o resultado foi fraudado. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também não reconheceu a vitória do chavista.
Compromisso com eleições justas
Sob pressão da comunidade internacional, em outubro de 2023, o governo Maduro e a oposição política assinaram o Acordo de Barbados —que estabelecia garantias para que as eleições presidenciais fossem justas e democráticas.
A reunião aconteceu em Barbados, no Caribe. O Brasil, por meio do ex-ministro Celso Amorim, teve papel central nas negociações.
Ficou estabelecido no acordo a autorização do monitoramento da votação por observadores internacionais para garantir transparência no processo eleitoral. Cada lado, inclusive a oposição, também podia escolher seu candidato.
Após a assinatura do acordo, os Estados Unidos chegaram a aliviar temporariamente as sanções sobre o petróleo, gás e ouro venezuelanos. Mas o arranjo durou pouco tempo.
Oposição barrada:

Maria Corina Machado e Edmundo González — Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
Durante a corrida eleitoral, duas candidatas opositoras foram impedidas de concorrer pelo governo, elevando a já conturbada tensão política na Venezuela.
Favorita para derrotar Maduro, Maria Corina Machado foi inabilitada para ocupar cargos públicos por 15 anos, numa decisão de janeiro deste ano do Supremo Tribunal de Justiça, nomeado por Maduro.
Em março, a professora Corina Yoris —segundo opção da oposição na corrida eleitoral— não conseguiu completar o registro da candidatura à presidência no sistema online do Conselho Nacional Eleitoral, após enfrentar um suposto defeito na plataforma.
Diante dos bloqueios, o diplomata Edmundo González foi nomeado candidato à presidência de último minuto pela coalizão Plataforma Unitária para disputar as eleições contra Maduro.
Maduro eleito e proclamado antes de resultado total ser divulgado:
No domingo (28), os venezuelanos foram às urnas votar para as eleições presidenciais marcadas por forte tensão política, filas extensas e fechamento de fronteira com o Brasil às vésperas da disputa.
A expectativa era que o resultado saísse no mesmo dia, o que não aconteceu. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) atribuiu a demora na divulgação dos resultados a um suposto ataque hacker. O órgão responsável pelas eleições no país é presidido por Elvis Amoroso, aliado de Maduro.
Na madrugada de segunda-feira (29), o órgão declarou que, com 80% dos votos apurados, Nicolás Maduro foi o vencedor das eleições presidenciais de 2024 -- sendo eleito ao cargo pela terceira vez.
Segundo o CNE, Maduro conquistou 51,2% dos votos, e o principal candidato da oposição, Edmundo González, 44%. O resultado indica uma diferença de 704 mil votos entre os dois candidatos. Até o momento, os dados totais da apuração e as atas eleitorais não foram divulgados. Ele foi proclamado vencedor ainda na segunda-feira.
Contestação da oposição:
A oposição, que tem denunciado irregularidades, contestou os números divulgados pelo CNE, e informou calcular que Edmundo González teve 70% dos votos, e Maduro, 30%. Resultados de duas pesquisas de boca de urna divulgadas pela agência Reuters indicavam vitória de Gonzáles com larga vantagem.
A líder da oposição, Maria Corina Machado, alegou que foi González quem ganhou as eleições. Ela disse ter provas disso.
Corina Machado diz que a participação na votação foi "histórica" e que quatro auditores independentes mostram que González foi o vencedor das eleições em todos os estados.
Reação internacional:
Após a divulgação dos resultados, diversas autoridades internacionais questionaram o anúncio de vitória de Maduro e pediram uma contagem transparente dos votos, como o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o vice-presidente da União Europeia, Josep Borrell Fontelles (veja lista).
Por outro lado, presidentes de países como Rússia, Nicarágua e Cuba parabenizaram Maduro pela vitória. Veja quem se manifestou a favor do atual presidente.
O governo brasileiro adota cautela com relação ao resultado das eleições. Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro saudou o "caráter pacífico da jornada eleitoral", mas disse que aguarda a publicação dos "dados desagregados" pelo CNE, um "passo indispensável para a transparência, credibilidade e legitimidade do resultado do pleito".
Protestos pelo país:
Desde segunda-feira (29), multidões foram às ruas do país protestar contra a reeleição de Maduro e, em várias áreas, as manifestações foram dispersadas pelas forças de segurança.
Pelo menos 749 pessoas foram detidas durante os protestos até a tarde desta terça (30) em razão de "atos violentos e de vandalismo", informou o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab.
Segundo ONGs que atuam no país, onze pessoas também morreram e 44 ficaram feridas nos protestos.
Segundo a ONG Pesquisa Nacional de Hospitais, que monitora a crise hospitalar e centros de saúde da Venezuela, uma das mortes ocorreu em Caracas, outras duas em Aragua, no centro do país, e uma quarta na região de Yaracuy, no noroeste

Manifestantes levam panelas em ato contra Nicolás Maduro na cidade de Valencia, na Venezuela, em 29 de julho de 2024 — Foto: Jacinto Oliveros/AP Photo
Maduro fala em golpe de estado e ameaça com prisões
O presidente venezuelano disse que seus opositores, Edmundo González e María Corina Machado, são responsáveis pela violência, pelos mortos e pela destruição ocorridos no país desde as eleições, no domingo (28). "A Justiça vai chegar", disse durante reunião conjunta do Conselho do Estado nesta terça (30).
Maduro anunciou que os manifestantes presos estarão sujeitos a prisão com penas de até 30 anos: "passarão, no mínimo, de 15 a 30 anos na prisão e desta vez não haverá perdão". O líder venezuelano afirmou também que o país está sofrendo uma tentativa de desestabilização.
O presidente ainda disse que a oposição, apoiada pela comunidade internacional, "pretende tomar o poder de maneira violenta" e alegou que diversas sedes do Conselho Nacional Eleitoral foram alvos de grupos criminosos, os quais ele chamou de terroristas.
O Ministério Público da Venezuela declarou que monitora as manifestações realizadas no país contra Maduro e que pode prender quem realizar atos de violência em protestos que negam o resultado das eleições.
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